O direito de ir e vir

Pedágios, impostos, taxas, radares, documentos, passaportes, vistos, autorizações, enfim, uma porção de empecilhos e dificuldades para exercermos o nosso direito simples e constitucional de ir e vir. Não basta? Há os buracos, as enchentes, as barreiras, as turbulências, o excesso de veículos, excesso de aviões, overbooking, pistas perigosas para pousos e decolagens. Motivos, enfim, não faltam para não nos movermos. Parece melhor ficar onde estamos.

Às vezes, acreditamos tomar a melhor decisão para seguirmos adiante. Direita ou esquerda? Por cima do viaduto ou por baixo? Nesta ou na próxima? E lá vamos nós, seguros de que desta vez, vai dar certo.

Porque não há placas indicativas exatas para onde queremos ir? Por exemplo: eu quero ir para TAL LUGAR e no caminho eu encontraria uma placa dizendo: TAL LUGAR siga  adiante. Se mudar os planos de repente, não mais que de repente, ao desligar o telefone, lembrar alguma coisa, voltar ao plano terrestre, já haveria uma placa dizendo: NOVO DESTINO, TERCEIRA À DIREITA. Poderia ser um gato de Alice, sem ironia. Capaz de se materializar em placas indicativas dos meus próprios desejos. Uau! Muito melhor que GPS. Nem se compara a pedir informações na rua. Imagine conselho!

Mas, mudar é inevitável. Sair de onde estamos é constância. Optar por caminhos, necessidade. Nem sempre há placas. Há algumas que nos levam aos caminhos errados; outras, pelos caminhos mais longos. Não tem jeito. Quantas e quantas vezes temos que pedir informações nas ruas. Desconhecidos que se tornam heróis. Conselhos tão valiosos, ou desastrosos. E seguimos, encontrando irônicos gatos de Alice.

O alívio é a possibilidade de retorno.

É como chutar a bola na trave e ela voltar para o seu pé. Um milagre! Num instante, o inferno; noutro, a paz.

 A carga pesada de seguir por um caminho, que já sabemos errado, fica leve. Ah, que alegria, quando avistamos uma brecha que nos permite retornar. Aquela sensação instantânea de que estamos salvos. Por fim, algo sinaliza que poderemos iniciar outra trajetória que nos livra do sufoco de cada minuto do erro.

Voltar? Não. Por fim, ir.

 

http://www.youtube.com/watch?v=nJlwM1UScmc

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