Aprendiz de Feiticeiro

Filho de médico, médico, filho de advogado, advogado, filho de dentista, dentista, filho de fazendeiro, agrônomo. Filho de executivo, abandonado. Filho de jornalista, perseguido. Filho de professora, revoltado. Filho de banqueiro, playboy. Filho de traficante, terrorista. Filho de ator, ator e de atriz, cantora. Filho de metalúrgico, sócio-proprietário de grande empresa de informação, ops!

Fala-se muito, quando não se diz nada. Meus pais diziam que quem cala, consente. Meus amigos budistas me dizem que esse provérbio só serve no ocidente, pois, no oriente, quem cala, cala. Está pensando antes de falar.

Tem gente que perde a oportunidade de ficar quieto, não é mesmo? E aí os pegamos na escuta. É triste, mas engraçado, eu confesso. Depois, quando queremos que digam alguma coisa, não dizem nada e ainda recebem o direito legal de ficarem calados. Como pode ser isso? Onde está aquela estória que vemos na TV: O acusado coloca as mãos sobre a bíblia e tem que jurar dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, etc. e em seguida, começam as perguntas fatais? Vi tanto isso que achei que fosse verdade. Vai ver, nosso representante do Itamaraty tivesse razão em citar, nós acabamos acreditando em mentiras quando são ditas muitas vezes, embora ele tenha perdido uma grande oportunidade de ficar calado.

Mas há, todos sabemos, momentos em que precisamos de uma palavra. Uma verdadeira “manifestação verbal ou escrita; declaração” (Aurélio). Um sinal. Vale sinal de fumaça, telefonema, e-mail ou mensagem. Está cada vez mais fácil nos comunicar, certo? Há controvérsias.

Numa reunião de executivos, os cuidados para falar são tantos, que a empresa corre o risco de perder informação, transparência e crescimento, por conta de excesso de zelo, num ambiente em que, o que se espera são as verdades. Quem irá nos dizer o que não está bom? O cliente?

Em família, quem tem filhos adolescentes que o diga. Como é difícil essa comunicação. Se perto, perto demais; se longe, longe demais. Se muito austera, recíproca falsa; se muito amiga, fora de controle. Não é fácil. Passamos a vida aprendendo a nos comunicar e, em geral, morremos sem saber o suficiente.

Salvo os poetas.

Já vi muito amigo querido falar uma única bobagem a outro e destruir uma construção de anos de convivência. Não basta o que destruiu ainda há incapacidade de reconstruir.

Há os relacionamentos amorosos, que são fontes inesgotáveis de estudos. O que falar, quando falar, como falar? Quando calar? As regras aplicadas em determinada situação, serão válidas para as semelhantes? Podemos pedir um habeas corpus? Caso eu diga algo que o ofenda ou magoe, desconsidere. Caso eu diga algo que me comprometa, desconsidere. Tenho o direito de ficar calado? Parecem razoáveis essas solicitações, agora, neste instante que escrevo. Uma mulher em TPM deve ter um habeas corpus, fornecido pelo próprio companheiro, embora ela não deva perder nenhuma oportunidade de ficar calada. Mulheres fornecem habeas corpus a seus companheiros, quase diariamente. Nem vem que não tem! Mas o mais bonito mesmo, o mais rico, o que nos faz melhor, justifica nossa existência e pode deixar lindas heranças é tentar aprender e acreditar que é possível comunicar-se sem habeas corpus.

 

http://www.youtube.com/watch?v=eBm97xJxF8c&feature=related

 

                                                              fenix 2

 

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Uma resposta para Aprendiz de Feiticeiro

  1. Léa disse:

    "Meus pais, diziam que quem cala consente." não se separa sujeito de predicado com virgulas.
    "estória " joa guimaraes rosa fez este neologismmo, a diferença entre estoria e historia, mas ja caiu, ou seja, tudo é uma grande historia…rs
    "tem que jurar dizer a verdade", quem tem, tem DE, tem de jurar ….
    "Mas há, todos sabemos momentos em que precisamos de uma palavra" mas há, todos sabemos, momentos em q precisamos dizer a verdade.
    procure colocar entre aspas as palavras estrangeiras "habeas corpus" ou, melhor, coloque em itálico.
    bjos

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