Caminho estreito sobre o precipício

 

Ele me contava uma experiência terapêutica que viveu: Em grupo, alguns vendam os olhos e outros guiam. Não faz muito tempo, eu soube de uma ação empresarial em que os executivos foram levados para uma refeição com os olhos vendados. Hoje, próximo ao parque da Água Branca, reparei numa esquina, um grupo de adolescentes com os olhos vendados, bengalas especiais, aprendendo a perceber a diferença no desenho da calçada quando da rampa para cegos. Em breve receberemos o novo filme de Fernando Meirelles: Cegueira. Baseado na obra de José Saramago: Ensaio sobre a Cegueira. O filme chega coberto de expectativas positivas. Torná-las-emos, elogios. Tem tudo para isso: bons atores, bom diretor, e excelente obra-base. Se o roteiro for bom, não há como errar. Estou segura de que é. Quando li o livro, fiquei impressionada. Um pedaço emocionante da trama é o peso de quem vê. E não é que sempre tem um dito popular para coisas óbvias? Pior cego é o que não quer ver.

Todo mundo tem medo da famosa frase: Precisamos discutir a relação. É como Feedback empresarial. Dão arrepios em qualquer ser. Sempre é chato. Sempre é constrangedor. Sempre é difícil, delicado. Precisamos saber se o que interpretamos na vida, está sendo traduzido pelos que estão a nossa volta. E se não estiver? Bingo! É aí que a escuridão vira luz.

Se interpretarmos isso como parte essencial da vida, do crescimento pessoal e da evolução para a qual estamos aqui, nesta gestão, então temos que fazê-lo com os que amamos e, não é nada fácil ser apontado ou apontar os que queremos bem.

Muitos de nós achamos terrível a situação da crítica, tais como a exposição de falhas de personalidade, maus hábitos ou descréditos escancarados ali, verbalizados na sua frente. Em preto e branco, colorido, ao vivo e em cores, em baixo, mas bom tom.

Pensando bem, acho que ninguém gosta de ser exposto. Quanto mais amamos os que nos falam, mais dói, talvez por vergonha da decepção que causamos. Talvez.

Mas há outra situação igualmente constrangedora para nós. Ou até mais. Porém, esta, já não para tantos. Só para alguns. Para uns, mais do que para outros. Alguns por tempo limitado conseguem superar. Uns pobres, talvez, só na próxima chance.

Trato da possibilidade de alguém nos dizer o quanto somos bons, insubstituíveis, merecedores! O quanto somos ou podemos ser queridos e amados. O quanto somos importantes para o outro. Para o todo. Isso é tão ou mais constrangedor para alguns que ser criticado. Estamos tão abatidos pelas violências humanas diárias e pelos frios encontros cotidianos que desaprendemos a ser amados.

Feliz do grupo cuja competente terapeuta desenvolveu um trabalho tão especial para o desenvolvimento da confiança no outro, da entrega e despertou em alguns a suave responsabilidade do cuidar. Lembram daquela: “Tu és responsável por aquilo que cativas.” E um principezinho, num planeta distante, cuidando de sua rosa?

Que rico potencial humano desenvolve a empresa cujos executivos estão aptos ao vexame pelo risco do sucesso. Humildade se aprende.

Que boas as senhoras que treinavam os jovens para, ao se sentirem cegos, ampliar seus horizontes.

Que obstinados os que treinam cães para guiar cegos.

Estas pessoas são as que nos levam no sentido da genuína luz. E para estas não podemos nos fazer de surdos. Pessoas que cuidam de nós, que nos enriquecem, que nos ajudam, que nos orientam, que são tolerantes com nossas fraquezas, e observadoras do nosso desejo transformador. O mundo está cheio de gente querendo fazer melhor, com mais afeto, com objetividade no acerto. Há muita gente querendo trocar. Dar e receber o bem. Mas é preciso estar atento: Respeitamos muito nossas lágrimas, mas muito mais devemos às nossas risadas.

Emocionemo-nos. Faz bem!

 

http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY   

 

                  

                                                   caminho estreito sobre o precipício

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