Matizes

Entre os prazeres do final de semana, da carne às massas, passando por amigos queridos, brincadeira em família e animais de estimação, me deliciei numa exposição do fotógrafo Lamberto Scipioni. Entre fotos e silêncios, haviam uns poucos escritos da curadoria, propondo-se a explicar o que não tem explicação. A exposição leva o nome: Imagens com alma. Felizmente um bom curador sabe fazer uso das palavras e usa de suas habilidades para expressar os cuidados, gentilezas, admiração e respeito pelo resultado do trabalho de um artista e estes laços se já não forem antigos se estreitam na montagem da exposição. Laços estreitos e saudáveis envolvem pessoas competentes e bons amigos.

Uma das lindas frases que colhi nesta saborosa visita, foi: Belíssimo exemplo do “saber ver”. Quanto ao curador, eu diria: Belíssimo exemplo do saber dizer.

A fotografia enquanto arte demorou a ser reconhecida nos meios acadêmicos, formais e tradicionais: O diferente incomoda. Embora eu não seja uma especialista, por gosto, alguma coisa li. Sou franca admiradora. Fico sempre extasiada em ver a magia no mais imprevisto dos temas, como era o caso. O Concreto. O belo está no olhar, no foco, no ângulo, na luz que se dá a um determinado objeto de observação. Um assunto frio, duro, difícil, ecologicamente improvável, politicamente questionável, ainda será doce se visto com os olhos do amor que o fotógrafo empenha na sua arte e o curador em sua missão de valorizar o que o artista faz sem deixar ruídos para os expectadores, quanto a importância e relevância do que realmente interessa. O resultado obtido.

A soma de muitas possibilidades: Muito sol, pouco sol, muita luz, pouca luz, mais ou menos, muito perto, aérea, angular, de frente, de lado, tangente, e com todas as variáveis possíveis de todas estas possibilidades e tantas outras juntas! Ufa!  Depende de quanta sombra se estiver disposto a ver em cada situação. Muita, mais ou menos, menos, pouca, nenhuma. O mundo não se divide entre preto e branco. Exceto, no inferno, entre mentirosos ou não, traidores ou não, corruptos ou não, delatores ou não, fofoqueiros ou não, torturadores ou não, enfim, pecados de Dante tão atuais e pecados da modernidade, tão antiquados. A única verdade é que se divide entre Corinthianos e os outros e neste caso, no purgatório que é muito mais divertido. Felizmente evoluímos na variedade de cores, na diversidade de tons, na multiplicidade tecnológica e nas alternativas. Ampliamos nossos conhecimentos, nos tornamos mais tolerantes e deixamos de dividir o mundo entre feio e bonito, cristãos e judeus, negros e brancos, ricos e pobres, homos e heteros, surfistas e playboys. Abandonamos classificações: Os tatuados, Os de cabelos vermelhos; Os emos; Os clubbers; Os pós-graduados; Os Hippies; Os vegetarianos; Os politicamente corretos, etc. e ganhamos com o fim dos rótulos, como: Tatuados são violentos; Cabelos tingidos são malucos; Emos são drogados; Clubbers são vazios intelectualmente; Loiras são burras; Pós graduados são nerds; Hippies são irresponsáveis; Vegetarianos são chatos; E sei lá mais que bobagens. Avê, quanta besteira. Para completar, ainda tem o ditado: Diz-me com quem andas e direi quem tu és. Essa é engraçada e fácil para  rotular que uniformiza suas atitudes. Então que tal um Chef internacionalmente reconhecido, tatuado, cabeludo e que gosta de musica clássica…opa! Um executivo rigoroso, vegetariano e motoqueiro, opa! Uma dona de casa, classe média alta, mãe, formada e drogada, opa! Um Caetano Veloso de Terno preto e cabelos curtos com gel, opa! O fundador de uma sociedade alternativa na Academia Brasileira de Letras, opa! Opa! Opa! Opa!  Olhar o mundo sob a ótica do avesso, do diverso, do irreverente, do palhaço, do convexo, do outro, não é para qualquer um. Exige habilidade, conhecimento e treino. Para temas não concretos, fotografias instantâneas não revelam boas fotos. Ah, uma dose de ternura no olhar purifica as palavras e lapida os resultados, como num disco de Newton. Ajuda muito. Os iniciantes devem optar pelo silêncio. Não tem como errar.

Bons amigos podem se enquadrar entre cães, gatos e pessoas, jovens ou da melhor idade, roqueiros, baladeiros, ratos de sebos, cinéfilos, jornalistas, tímidos, estudantes, atiradinhos, funcionários públicos, gremistas, gordinhos, executivos,  que saibam jogar gamão, gays, vendedores, casados, felizes, pais ou mães, mineiros, músicos, argentinos, blogueiros, tatuados, e muito mais variações, desde que sejam gente do bem, de bem e para o bem.  Eu orgulhosamente só tenho amigo bacana. Pepitas garimpadas em todas as tribos, Mármores esculpidos entre rochas e Geniais pinçados entre multidão de chatos. Não são reflexos da sociedade ou resultados do meio, são imagens da alma.

                        

  http://www.youtube.com/watch?v=WirSljaOKtw&feature=related

 

  http://www.youtube.com/watch?v=2Jr8otlK1kg&feature=related

 

                                Você quer publicar uma foto da sua tribo aqui?  

 

                                                               Don_Hong-Oai

                              http://imagesvisions.blogspot.com/2008/11/foto-de-domingo-don-hong-oai.html

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Uma resposta para Matizes

  1. dennys disse:

    expressões que eu adoro a respeito das pessoas
     
    enxergar além do que se vê, de perto ninguém é normal, todo mundo é uma ilha
     
    você descreveu muito bem a idéia de diversidade, palavra que os gays adoram usar mas que define muito mais do que diversidade de comportamento sexual, com você eu aprendi bastante a conviver com as diferenças de forma saudável e vi que isso é muito mais do que simplismente respeitar, é se jogar mesmo e se aprofundar num jeito diferente de ver e perceber as coisas, ver com os olhos do outro, a fotografia nos dá essa sensação, se eu for  até a rua da sua tirar uma foto de lá e te der de presente com certeza vc vai estranhar ao ver pela primeira vez e vai se chatear ao perceber que alguém veio e e enxergou de uma forma nova um lugar que você passa todos os dias .

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