Você tem fome de quê?

Quando fico cansada dos meus afazeres, procuro me lembrar que são eles que me propulsionam, são minhas atividades que me mantém viva, são os labores que sustentam minha criatividade acesa, são meus muitos compromissos que me fazem sentir parte deste mundo maluco que eu amo e que é São Paulo. E então, rapidamente vem à minha memória ecos da infância que dizem: Deus dá o frio conforme o cobertor, ou: O carneiro agüenta o peso da sua lã ou qualquer coisa assim, que não me lembro bem. Meu cansaço físico está de acordo com o que me proponho a fazer, e se há algo desequilibrado nisso, quem provocou fui eu. Atravesso com esta teoria para o campo das emoções e me pergunto então se a intensidade ou a quantidade de emoções que tenho são as que me permito. Nem uma gota mais. Jamais uma a menos. Quem não pode com mandinga não carrega patuá, jeje. Quanto amor se pode suportar? Quanto afeto se pode absorver? Quanto podemos nos manter felizes, sem nos movermos para fazer xixi? Quanto tempo agüentamos olhar para uma pessoa querida sem desviar o olhar? Quanto aventureiros podemos ser para gerar emoções em vida? Quanto conseguimos gargalhar sem permitir que um pensamento castrador nos desvie atenção? De quanta alegria podemos desfrutar sem permitir que uma sensação auto-sabotadora nos invada e interrompa este momento? Quanto podemos sonhar sem precificar? Quanto podemos comemorar a vitória sem pensar no próximo desafio? Quanto podemos admirar o belo, sem questioná-lo? Quantas vezes posso ouvir a mesma musica adorável e cantar,  cantar alto, dançar  e sorrir, sem sentir-me uma tonta? Quanto tempo posso desfrutar de uma banho de banheira com o celular desligado e nenhum compromisso a frente, sem sair por sei lá o quê, porque afinal…Não há nada?! Consigo caminhar lentamente quando não há motivos para a pressa? A felicidade tem um preço alto. A sabedoria. Se não desenvolvo a paciência para os momentos difíceis, não a terei companheira para os momentos de deleite. E eu os desejo impunemente. Se não encontro tolerância para os momentos ásperos da vida, não terei elasticidade para cada segundo de prazer que pretendo. E eu os pretendo muitos. Se não treino  resiliência pra o que me enche, me estorva, me absorve energia e me devolve insatisfação, não a terei pronta quando o ócio me exigir. E eu pretendo estar apta.  Se não acreditar em treinamento e melhoramento contínuo, parei no tempo e espaço. A estagnação  embaça a atenção e quero permanecer ávida. “É preciso estar atento e forte” para deixar-se ser feliz. Permitir-se sem censura, pois a prudência é amiga e guia e não agente do DOPS.  A miséria sim é má conselheira, dizia Raquel de Queiróz. Abusada me arrisco no campo subjetivo das sensações e me atrevo: A miséria emotiva, nos seca; A pobreza espiritual nos rouba a paz; A carência de sonhos nos reduz a miseráveis; A supressão do tesão, nos mata aos golpes lentos; A fome moral nos transforma em intolerantes; O desejo descontrolado da perfeição nos coloca atrás das grades e impede a convivência passiva. Não quero estar nos esgotos, cortiços e becos de uma sociedade pobre de amor. Estou entre os ricos e soberanos. Quero estar entre os maiores e melhores. Estou entre os que têm o suficiente para dar e compartir. Nada de pouco me interessa nas minhas relações. Amigos medidos por laços estreitos e não por distâncias, amores profundos, familiares fraternos, amantes insaciáveis, conversas de temas polêmicos, liberdade no precipício rente da responsabilidade, entrega no limite da dor, desejo na medida exata do medo, e alegria sem fim. Intensa na medida certa para ser identificada a distância por meus mais acertos que erros. Minha vida e caminhar carregam  o cansaço do infinito prazer.

 

 

                                     

 

                                      http://www.youtube.com/watch?v=7wE-xCWOzq0

 

 

 

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