Descobertas

E então, tínhamos um feriadão lindo, sol, céu azul, outono no sabor do vento, e verão ameno na temperatura. Previsão de ondas de até dois metros, ressaca no mar…Êba, surfistas à vista! Os paulistanos enlouqueceram no trânsito da quinta-feira a noite e a cidade ficou vazia no feriado. Tudo ajudava. Let’s go! Vamos às novidades no sentido contrário:

Catavento. O novo museu de ciência da cidade de São Paulo. O projeto total ainda não está completamente pronto, e deve se concretizar com uma passarela direto do mercado municipal e o fim dos edifícios favelas. Bem, mas o museu no Palácio das Indústrias, antiga prefeitura no tempo da Erundina, já está, e lá fui eu. A belíssima construção, revigorada, limpa, valorizada em suas cores e imponência, destaca suas frases em latim, e cães que tomam conta e avistam ao longe, os que se aproximam. Uma beleza. Não identifiquei exatamente, se trata-se de um cavalo marinho alado, ou o quê, mas há uma importância enorme, para o para-raio do prédio, com toda pompa que merece tal descoberta. Tudo novo, tudo limpo, tudo moderno, todos só, sorrisos. Mais uma vez a tecnologia a serviço da educação e do aprendizado de maneira que o aprender torna-se um prazer e não um fardo.  Na linha dos Museus da Língua Portuguesa e do Futebol, São Paulo nos presenteia com mais um destaque, suponho de nível internacional. As escolas de engenharia da USP – POLI e a de Medicina – USP, se fazem presente em vários ambientes, com suas pesquisas, fazendo valer a todos, o que pagamos para que uns poucos estudem por lá. Muito bom! É isso aí, quero minha parte de volta em serviços. Muita coisa brilha, gira, toca, move. Há muita vida. Vida nas estrelas, vida na superfície da terra, vida no subsolo da terra, vida no espaço, vida no universo, vida nos animais, vida no corpo humano, vida na ciência. Estava lotado de crianças e famílias. Havia vida no museu! Terceira idade, então, era uma festa. Avós e avôs orgulhosos com seus pimpolhos, evidenciando a evolução proposta no museu.

As imagens impressionantes de estrelas, planetas, galáxias… Explosões de cores, formas, movimentos, foram de cara, na entrada, estimulante. Somos mesmo, uns merdinhas.

Aprendi muita coisa. Fiquei três horas e não deu tempo de ver tudo. Edwin, é mesmo um cara super importante, parabéns! No ano do crash da bolsa de Nova York, 1929, ele afirmou que o universo está em constante evolução. O crash todo mundo sabe, todo mundo lembra, mas passou enquanto sua descoberta e afirmação mudaram o rumo da ciência para sempre. Fantástico. Viva os cientistas que além moda, além economia, além nossos interesses primários, zelam por nós e garantem o futuro de gerações e gerações. Mesmo que nós não saibamos. Algo ficou sobre as leis de Kepler, no meu ínfimo banco de memórias: A Lei da Harmonia. Deve ser minha memória seletiva que escolheu esta como primeira e mais necessária para o aprendizado. Como são três, disso eu também me lembro, está bom, na primeira visita, captei 30% do conhecimento proposto. Nada mal. E então, estava lá, eu, fotografando o Nemo e a Dori no aquário quando li na parede da Sala da Vida, o que todos os seres vivos têm em comum:

 

1-      Apresentam alto grau de organização e complexidade;

4-      Apresentam crescimento;

5-      Respondem a estímulos do meio;

7-       Sofrem modificações nas características hereditárias ao longo do tempo num processo chamado evolução.

 

Viva, eureca, descobri: Segundo a ciência, o congresso nacional não está vivo. Não é fantástico! Se não está vivo, não precisamos fechá-lo, como sugeriu Cristovan Buarque. É só jogar terra por cima, ou queimá-lo como nossos ancestrais. Sábios tupiniquins.  Lembrar-nos-emos dele, apenas como fato histórico, como o crash, que nos ajuda a evitar próximos erros! (e nem sempre). São seres inanimados? Para artistas plásticos, pode ser que seja: – Natureza morta. Que tal? Por falar nisso, belos quadros de Di Cavalcanti espalhados pela exposição, perderam vida no meio de tanta tecnologia. As frases de “Os Lusíadas” que permeiam o caminho da exposição também exigem mais atenção do transeunte para não passarem despercebidas. Uma linda citação de Olavo Bilac acrescenta doçura onde curiosamente escutamos as estrelas, o espaço, os planetas. Poderia aí, estar musicada, para facilitar a memorização da moçada, uma vez que o foi, por Belchior, lindamente, também. Então, encerro com poesia e música, que como a ciência, vem para ficar, acima da economia e da política. Terei que visitar novamente para aprender mais. Por enquanto sigo à risca: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer Não! Eu canto.

 Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac

 

 P.S. – Divina Comédia é de Dante Alighieri – Espanhol, ou seja, tudo é interdisciplinar, é só querer.

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3 respostas para Descobertas

  1. Eli disse:

    Puxa vida, Paty, que bacana, que legal…que lindo. Obrigada!!!

  2. Paty disse:

    Viver é basicamente trocar experiências e conhecimento… eu aprendo muito com todas as pessoas que cruzam a minha vida. Seus textos são pura cultura…. thanks!!!

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