Virada Cultural

Os jornais anunciaram que este ano o centro velho de São Paulo, reuniu quatro milhões e meio de pessoas. Acredito. Aliás, to acreditando em qualquer coisa: O Roberto Jefferson indicou o Lula como testemunha no mensalão e, o Joaquim Barbosa adiou o caso para o ano que vem. Eleições. Acredito. Um deputado disse à imprensa que não importa o que a imprensa faça, “eles” sempre se reelegem. Acredito. No pólo, matam foquinhas à cacetada. Acredito, ô se acredito. O presidente do Irã diz que o Holocausto não aconteceu. Vichê, super acredito! Hugo Chaves e sua Revolução Bolivariana continuam comprando a Argentina, que Dona Cristina vende para sustentar o fracasso familiar. Acredito. É… Isso sim é uma virada cultural que nos faz cair de joelhos. E eu, que penso em encantamento como se pensa no pão nosso de cada dia, fui atrás de algo que me surpreendesse. Freqüentadora desde a primeira Virada, há três anos estabeleci minha entrada, pela Praça Dom José Gaspar e por ali, comecei com um belo recital de piano. Tranqüila, sentada, escolhi uma cerveja gelada e um pastel para dizer a alguns sensores internos que estávamos a passeio, já que é difícil para mim, comunicar meu corpo e minha mente simultaneamente, esta decisão rara.  Parti dali rumo ao Vale do Anhangabaú para emocionar-me com o Grupo de Dança Quasar. Os bailarinos ainda estão na minha retina. Lembro-me muito bem das fortes musicas de Elis & Tom – 1974, que ditavam seus movimentos. Não os ouvi dizer uma palavra, ainda assim, trago comigo, as emoções que transmitiram com o que disseram. A arte da dança me faz refletir como é possível dizer tanto, com o corpo, com uma atitude.  À noite, estava começando. Elis e Tom 74 é um desses discos de fazer cortar os pulsos. São tão fortes estas letras, são tão intensos estes sentimentos! Estes acordes penetram na alma e ali, na hora, me perguntei se já amei assim alguma vez. Parece que eles, poetas e bailarinos amam mais e mais intensamente do que qualquer um de nós. Você acredita? Então sofrem mais também? Bom, as águas de março, sempre fecham o verão e há uma promessa de vida em nossos corações, então, simbora: O mapa indicava: Passe ao lado do prédio do correio lindo e iluminado e siga adiante até Marcelo Camelo, onde no ano passado estivemos dançando feitos loucos ao som de Jorge Ben Jor. Quando cheguei à multidão já cantava hits do CD “nós” e podia-se ver, na excelente imagem em cristal liquido, o quanto ele dedilha o violão, como quem brinca com lápis de cor. Reparei um comportamento generalizado: os casais se beijavam. Marcelo Camelo tornou-se um romântico.  Ele agora é um lobo bobo na coleira do Chapeuzinho Vermelho Malú. Deixando o tumulto para trás, parei para ver os trapezistas franceses equilibrando-se em camas e colchões. E com tanta precisão, não seriam eles, também, bailarinos? Este ano, decidi não conferir nada no eletrônico, pois nos últimos anos, o odor de urina era de vomitar. Cansada, rumei para o carro, na Rooselvelt, com parada obrigatória no Estadão para uma alimentação saudável da madrugada, e lá se foi uma coxinha prá dentro. A tentação é grande e voltei para o ABC pela Paulista, com direito a uma paradinha na Casa das Rosas. Esta foi a Big Surprise da noite. Primeiro porque, se eu não tivesse parado lá, jamais saberia que lindos são aqueles jardins à luz do luar. Depois, porque por fim, rolou um capuccino, que para mim, é sagrado, como bandeira do Corinthians, manhãs de domingo,  música brasileira , jazz e cinema. As quatro da matina começaram o show da Banda Paralela e a surpresa é genial e geral. Sempre há tanto o que ver e ouvir. Aprender é uma surpresa!

No decorrer da semana, a imprensa comunicou que a sujeira e o cheiro de urina geraram reclamações no centro e que a prefeitura iria apurar quais empresas não cumpriram seus contratos de limpeza provocando o mal estar à população. Disseram também que os banheiros químicos este ano, foram duplicados, com relação a 2008. A Virada neste sentido é como dar pérolas aos porcos? Nada justifica esta atitude. Quero declarar que fiz uso de um banheiro químico, que estavam sim, por todo lado, não havia fila, e que não estava fedido. Não usou banheiro, quem não quis.

Mudando de pato para ganso, mas ficando na lagoa, quinze dias antes da Virada, eu estive num domingo de manhã, no centro, em direção ao CCBB, para uma exposição. No caminho, próximo ao Páteo do Colégio, um homem, um mendigo, um sem teto, um miserável, fazia cocô, ali, agachado numa esquina, às 10h30min. Limpou-se com a mão. Você acredita? Qual foi a empresa que não cumpriu sua parte do contrato com aquele cidadão? 

 

 

                                        

                                         a estrelinha brilhante é a do Estado de São Paulo

 

                                                            

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Uma resposta para Virada Cultural

  1. Paty disse:

    Gosto de conversas inteligentes, já te disse. E leio seus textos porque você faz um apanhado geral do que está acontecendo por todos os lados e discorre muito bem. E gosto de interagir com todo mundo e respondo, faço comentários…Comentarei o começo e o fim.Hoje fui no velório e cremação do meu amigo Raphael. O conheci há mais de uma década. Tb dou aula de informática e tenho mais "amigos" do que alunos. E o Rapha e sua família são uns dos amigos que fui fazendo na minha jornada de vida.Foi a pessoa mais inteligente que conheci nesta vida até então. 6 idiomas, conversava sobre qualquer assunto, uma pessoa humilde-humana-carismática ao extremo, que todos que conheciam amavam. E por falar em Holocausto, que agora virou moda "negar", ele ficou preso num Campo de Concentração e teve sua família todinha incinerada. Ele sobreviveu, formou família e fez sua história de vida da melhor forma possível, só não conseguiu vencer o câncer que o levou lá p/ junto de Deus.E quando li "O menino do pijama listrado" – John Boyne, o menino judeu me lembrava muito ele.Os judeus são contra a cremação, mas era da vontade dele ser cremado p/ homenagear a sua família.É moda os bem de vida fazerem xixi nas ruas atualmente. Cultura e falta de educação imperam no Brasil.Gostaria de tirar todas as pessoas da rua e lhes dar uma vida um pouco mais digna. E que um político emprestasse a sua mão para limpar a merda do mendigo nessa esquina e não para roubar-nos.E já disse hoje, que vou processar todo porteiro de prédio de bairro chique que acha que vou prestar algum serviço e não visitar meus amigos… cansei de discriminação.Boa semana e até seu próximo texto inteligente.

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