O problema de quem não gosta de política é que sempre será governado por quem gosta muito

Internet, jornais, revistas, TV, livros, pessoas mais instruidas que nós. Ouvir e provocar conversas sobre política é saudável.

Na minha casa, conversamos SIM! sobre política, religião e futebol. Ainda: diversidade, economia, impactos sociais, impactos ambientais, educação, filosofia, psicologia, musica e cultura.

Quem sabe ensina, quem não sabe aprende, quem nunca ouviu falar, escuta, quem fica surpreso é tão importante na roda, como quem já está careca de saber. Ninguém sabe mais, sabemos coisas diferentes.

Sabemos que queremos expectativas melhores, oportunidades, direitos. Estamos dispostos a oferecer deveres.

Nosso primeiro dever/direito/dever é votar.

Do it.

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Aqui e lá

Assisti ao filme Nosso Lar, acompanhada para não correr o risco de ser massacrada com calúnias e injurias de insensível. Eu me comovi e chorei.

Outro lado, é que, influenciada por estes momentos de campanha eleitoral, temos que admitir que 72 ministros…É ministro prá caracas!  E no meio deles, há um de comunicação. Claro! Tinha que ter, sempre haverá espaço para o marketing e vendas. E quando o governador fala: é em cadeia nacional e não tem conversa mole, até quem não tem TV, tem imagem digital em 3ª dimensão. Mas os problemas são os mesmos, pelo menos em algumas áreas que foram abordadas no filme: A burocracia ficou clara. Bom, vai querer o que com tanto ministro? E fila no serviço público? Afê! Outro departamento que está mal das pernas é o da saúde. O problema é grave, faltam leitos, médicos, pacientes ficam do lado de fora, no chão, e observem que o caos se instalou, mesmo havendo planejamento: eles já sabiam que os mortos de guerra chegariam, distribuíram os pacientes, mas mesmo assim, não deu. O Ministério da cultura parece que estava desfrutando de dias melhores e certos privilégios, com lindos shows de musica, clássica, ao ar livre, com direito a palco. O ministério de urbanismo e meio ambiente também demonstrou a que veio, ou melhor, neste caso, a que foi, ou se entendi bem, a que virá…Enfim, lindos jardins, flores por toda a parte, ruas limpas, e nada de formato de avião, desculpe querido Oscar, mas o pessoal que te espera, fez tudo em formato de estrela. Não há ondas nesta arquitetura. O sistema de transporte pareceu moderno, com trens voadores, limpos e bem ventilados, mas o bilhete único poderia ajudar afinal alguns carregam maca na velocidade da luz, e de repente se vêm carregando a mesma maca, debaixo do sol,  morro acima. Bem, e por fim, não menos importante, ao contrário, superimportante, tem a turma que come barro. Para lá vamos todos! Alguns mais tempo, outros menos tempo. Alguns irão encontrar sua turma, outros se sentirão sozinhos, mas todos passarão por lá. Comeremos um barro horrível, acima de nós, um céu escuro, um frio e uma chuva que não tem fim, raios, relâmpagos  fome, medo, dor…ah… o cabelo cresce…a barba cresce…então quero ir de calça comprida.  Aliás, tomando por base os conhecimentos adquiridos com esta obra, repensei meu velório. Sim, eu queria chegar lá no salto. No mínimo! Agora já estou pensando que um bom tênis atenderá as minhas necessidades iniciais.  É bom levar uma lanterna no caixão e uma garrafinha de água pode ser útil. Também é bom ser enterrado com uma blusinha, assim, prá um friozinho de final de tarde de um dia nublado. Quem quiser, pode falar com amigos por internet, outros, com caneta de pena e tinta nanquim também conseguem. Ah, em Nosso Lar tem wirelless.  Quanto às técnicas e efeitos especiais, fiquei muito admirada ao ver as melhorias e muito triste em ver que fraquinho que nós somos. Eu não li o livro, mas estou confortável, pois conversei com pessoas espíritas que também não leram, então, me sinto como outros milhares de pessoas que viram apenas o filme para compreender um pouco desta ciência /religião.  Rebelde sem causa vai voltar para casa pedindo ajuda. Sorrir sempre ajuda, muito. Quem quer ajudar, faz alguma coisa. Morrer de morte matada é melhor do que morrer de morte morrida. Tem coisas que não entendemos, e não adianta perguntar. Adorei o truque da água da paciência. Nossos familiares estarão eternamente a nossa volta (pasmei). Mãe é mãe. Amor de mãe desequilibra a balança. Acredite, sua mãe estará sempre com você. Mãe é tudo de bom, aqui e lá.

 A lei da ação e reação está em vigor…

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Hoje é dia do meu aniversário

Estou pensando que meus pneus estão tala larga, mas as peças são originais e o estado de conservação é ótimo!!! Também, andei vendo o mercado e estou bem acima da tabela, com som de conteúdo e o ronco do sorriso, impecável! Segurança e estabilidade emocional, além de transportar muito mais que uma família linda, e põe linda nisso, dá prá levar amigos e animais de estimação, otimismo e esperança com um mínimo de consumo: "Uns pastel e Dois chopp"; No motor e no radiador, brilho do olhar. É fato…para ir e vir, tem que pagar pedágio. Sorrisos sinceros, são aceitos em troca. Arrogantes, covardes, puxa-sacos e outros passageiros fedorentos  viajam em silêncio e ficam no caminho. Sem dó. Não dá prá levar tanta gente chata quando estou cercada de gente incrível.

Mas quem vai, recebe cheiro de mato, brisa de mar, capuccino, sorvete, fotografia, alegria, brincadeira, cantoria, bem estar, música boa, sucesso, futuro, dignidade, cidadania, boa leitura e um montão de abraços e beijos. 

Aos que estão nesta viagem, obrigada!

 

 

 

 

 

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Lado B

 

Vamos ver o que houve nos últimos meses em que eu estive tratando feridas: O Zelaya saiu da nossa embaixada, não é demais? Eu já estava querendo incluir as despesas na minha restituição do imposto de renda.  O palhaço mais querido da américa latina continua lá, em seu uniforme de militar,  fazendo palhaçadas e fechando canais de TV e um dos momentos inesquecíveis do espetáculo foi a fala do banho. Esta semana peguei uma enchente em São Paulo , água até os joelhos e lama. Tive que tomar um banhão quente e um pouco mais demorado, acho que fiquei bem uns 15 minutos no banho, será que ele não vai mais querer ser meu imbecil preferido? (Sempre me pergunto como imbecis chegam lá e penso em respostas cretinas). Por falar em chuva, desde Dezembro São Paulo está afogado. Cada semana que passa batemos um record: o dia, a semana, a madrugada mais chuvosa dos últimos 60, 66, 70, 77 anos. Se Sergipe quiser este troféu podemos negociar, fazemos qualquer negócio, que tal fifty fifty. A campanha da Dilma segue em frente a do Serra começou agora; Fiquei meio tristinha que o Aécio pulou fora, ah, nossa quase esqueci, teve o caso das meias…esse foi demais né gente. Eu ria tanto na frente da TV, lia os jornais e dava risada alta na padaria, seria a piada campeã do ano se não fosse triste e não fosse aqui. A tristeza começou a piorar quando os manifestantes foram agredidos em Brasília, pessoal, o que é isso?? As confusões da USP foram terríveis mas era um ato isolado, mas os cidadãos de Brasília? Na cara do gol, na marca do penalti? Nossa, não é prá menos que o brasiliense tem vergonha de morar em Brasilía. Bem vamos cuidar do nosso rabo, afinal foi aqui que inventaram o selinho de automóvel: eu tenho vergonha dos vereadores de são paulo.

O César Maia viajou em 2009 tanto quanto o Lula, é mole? Meu, o Rio não melhora, cara, o que é isso? Teremos a copa e as olimpíadas (teve isso também) e não temos uma noticiazinha boa do nosso lindo Rio de todos os meses de todas as estações. Cristo Redentor braços abertos sobre a Guanabara, estenda Seus olhos sobre nossas crianças e Seu chicote sobre nossos governantes. Tô até com vergonha, de pedir ajuda a Ele, afinal boa parte do que acontece aqui é semvergonhice. Enquanto no Haiti…Pense no Haiti, reze pelo Haiti. Pretos, pobres, prezos, são quase todos os mesmos. Pense no Haiti, reze pelo Haiti. O Haiti é aqui, não é aqui. Copenhague não é aqui, Doha não é aqui, Kyoto não é aqui, Davos não é aqui. O Haiti é aqui, as Guianas são aqui, Angola é aqui, Faixa de Gaza é aqui, Paraguai é aqui, Moçambique e Serra Leoa, são aqui. Nossos morros, favelas e ribeirinhos, nossos pretos, nossos pobres, nossos prezos, são aqui. São Luiz de Paraitinga é aqui. Serão necessários muitos braços muitos abraços.

Passou o natal, o réveillon, ah, tivemos as cagadas do Enen, dos vestibulares, afê, anozinho cruel, fedorento, sujo, male dito. Foi tarde e nos levou noites de sono, um tiquim da dignidade de alguns e muita gente boa. Cristhina Kirshner é que começou 2010 bem, fazendo amor com o marido no domingão a tarde, e anunciando que carne de porco é afrodisíaco. Ainda bem que ela avisou, agora a vida dos argentinos será diferente e melhor, muito melhor. Se não melhorar ela canéta os assessores e vai mandando todo mundo embora na base do decreto, o filhinho terrorista põe bomba no Clarín, e aí já chegou o domingão de novo. Bunito, muito bunito. Meu coringão também começou bem o ano, com a dupla Ro&Ro. As lojas do torcedor fiel se proliferam nos shoppings da cidade, haverá o navio do centenário, há livros incríveis nas melhores livrarias da cidade, um arrasa. Haja coração! Como vende esta marca, é incrível. Entre outras coisas incríveis que 2010 nos promete e nos faz crer que é possível, que devemos continuar tentando, que embora alguns pareçam estar remando contra, a maioria rema a favor, descordenadamente, mas a favor, e que será um ano melhor, que haverá mais consciência ambiental, que haverá mais cuidado com o próximo, que haverá melhor distribuição de renda, mais liberdade de expressão, mais, muito mais educação, cultura e acesso, e educação e cultura e acesso, e educação e cultura e acesso para muito mais pessoas e portanto mais trabalho, mais saúde, mais respeito, muito, muito mais direito,  cidadania e paz. É fato  de entre estes, há os que não desistem de remar para o lado certo. Doendo ou cansada, quero estar entre eles.

 Somos responsáveis pelo que fazemos em nome das nossas instituições, mas elas não podem responder pelo que fazem em nome dela.  – Se não souber.

                                                                                  

 

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Frente Fria

Antigamente merthiolate ardia; E muito. Hoje, não arde. E já vem com o sopro. Oras bolas, e quem é que quer que já venha com o sopro, se justamente o sopro era o mais legal! Mãe, vó, tia, professora, namorado, melhor amiga…Alguém  parava o mundo por uns instantes só para cuidar do nosso machucado.  Se já vem com sopro, em minha opinião, não serve. Mercúrio cromo, se sabe, sempre curou do mesmo jeito e não ardia, mas tinha a desvantagem de sujar tudo. Reflitam comigo sobre a delícia desta cerimônia: O mercúrio como sujava tudo, ficava guardado em lugar escondido do armário, e para usar era necessário algodão e muitas vezes até… Gaze. Imagine só um curativo coberto com gaze, prezo com esparadrapo, feito com mercúrio, que resulta num joelho que não cabe embaixo da calça jeans! É um xodó que não tem fim. Coisa até mais de vó que de mãe, te tanto mimo. Hirudoide, é coisa de tempos modernos. Não arde, não mancha, tira o roxo, mas tem que esfregar bem cima do machucado. Afê, quem é que quer esfregar encima do lugar que está dolorido? Só mesmo se alguém fizer isso para você, e com muito carinho, e devagar, de leve e tiver paciência para ouvir: Ai, ai, não aperta, tá doendo, pára, tá bom… e por aí vai. E machucar, tem lado bom? Bem, o beijinho, a atenção de quem nos cuida, faltar na aula e levar bilhetinho para justificar, sobremesa especial, todo mundo falando: Coitadinha! Doeu muito? Hihihi, aí sim! Começo a ver alguma vantagem no desastre.  Dura pouco, mas é tão gostoso! E ficar resfriado então… Nossa, quando rola um mimo dá vontade de ficarmos uns dias a mais de cama. Enfim, quando estamos feridos, precisamos de ajuda. Lastimas têm uma coisa em comum: Doem. No corpo, na alma, na razão ou na vergonha, onde for, dói. Curas tem várias cores e formas.

Cura a La Merthiolate: Dói prá caramba, você tem que fazer cara de valente, e não deixa vestígios. Em geral, se chora baixinho e escondido.

Cura a La Mercúrio Crohmo: Não arde, sara, mas mancha tudo a sua volta. Inclusive quem participa. Não faz chorar, mas a exposição é longa.

Cura a La Hirudóide: Vem num tubinho fácil de passar. Prático, resolve mesmo. Mas para ver o resultado só esfregando muito. Suspeito que dói tanto ou mais do que esperar que sare sozinho.

Bonitinho mesmo é lembrar-se da água oxigenada, que era cheirosinha, fazia espuminha e se dizia que se fez espuminha é porque está matando os micróbios! Acho doce este comentário e sigo repetindo-o. Depois, o famoso band-aid. É o príncipe dos curativos.  O lado sem sal desta simplicidade é que podemos resolver tudo nós mesmos, sem choro escondido e sem deixar vestígios.  Prá piorar não precisa de sopro. Afê, ninguém nem vê que a gente se machucou!

Bom mesmo é não se machucar. Mas quem poderá passar incólume nesta vida sem um arranhão? Criança que não brinca está doente! Adolescente que não se bate nos cantos, é um E.T. entre amigos. Copos quebram, coisas caem, portas e janelas se abrem em nossas cabeças distraídas. Pessoas chegam e partem e nem sempre nossos corações estão distraídos. Situações surpreendem. Há comportamentos que são como febres, se repetem nos desgastam, nos derretem e não há nada a fazer, senão esperar passar. Há palavras que causam enormes estragos. Há silêncios que ferem. Melhor do que o silêncio, só João!

Quem não se arriscar, não vai brincar, não vai se divertir, não vai aproveitar a vida. O medo pode transformar nossos silêncios interiores em verdadeiros cânceres. Isto não significa transformar a existência numa apoteose de desastres contínuos e evitáveis, tampouco sair em desabalada carreira atrás de tudo que pareça diversão sem evitar os arranhões. Nananinanão. Significa tentar. Participar. Fazer parte. Dividir os riscos e os medos do tombo com a satisfação do suor, o cansaço da vitória e a boca seca do pódium. Seria fantástico se tivéssemos certeza de que vai valer a pena à cicatriz. Diante disso, o que temos aqui: arrisca, cai, machuca, dói, sara, arrisca, cai, machuca, dói, sara, arrisca, cai, machuca, dói, pede ajuda e quebra o ciclo. E aí, machucar-se faz apenas parte do processo. Pedir ajuda é que é genial. E dói também.

PS- Em caso de frente fria, leve agasalho.

 

 

 

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Meio Grávida

Aprendendo sobre o H1N1, ouvi a declaração de uma enfermeira de que não há início de pneumonia, e que isso se aprende no primeiro ano de estudo de enfermagem. Pneumonia: Sem tem ou não se tem. Do mesmo jeito, tantas outras coisas… Não é mesmo? Embora eu seja uma relativista, reconheço que se tudo é relativo, isto inclui a teoria. Adoro isso!

Há um montão de coisas que sempre tendemos a contemporizar, mas pera lá, algumas delas ou são ou não são. O time jogou bem.  Mas não ganhou. Perdeu! Claro que, para quem lê as entrelinhas, a crônica, quem estuda o assunto, quem ouve os críticos, estes saberão os detalhes. Mas para quem só lê manchetes, perdeu e pronto. Se você tiver conhecimento básico de medicina ou farto conhecimento geral, poderá dizer ao médico: Desculpe doutor, não quero parecer indelicado, mas eu espero um diagnóstico mais preciso. Se for necessário, prefiro repetir os exames. Veja esta: Passo no caixa do supermercado, a mercadoria custa R$ 19,99, pago com uma nota de vinte. A simpática e bem treinada operadora me pergunta: Posso dever um centavo? Respondo sem aspereza: Não. Está criado um clima, em que eu sou, temporariamente, a criminosa da vez. Ué, eu deveria ter dito sim? Insisto que muitas vezes, a pergunta a ser feita não é por quê? E sim: Porque não? Dá prá atear um pouco de fogo na Amazônia? Podemos jogar só um pouquinho de lixo no mar? Por que você não paga R$ 0,01 a mais em um imposto qualquer, sei lá, paga a mais o IPVA! Por que não? Paga então um pouquinho a mais no IPTU! Também não, por quê? Você se importaria se descontassem R$ 0,01 todo mês no seu salário? É tão pouquinho…Para não ser considerado sedentário, a que se praticar 30 minutos diários de atividades físicas. Você é sedentário ou não? O namorado da sua filha perdeu a paciência e deu um tapasso nela. Tudo bem?  Mais ou menos? Depende? Pedofilia tem mais ou menos? Se for o sobrinho do filho da vizinha que você nem conhece… Tranqüilo?  Se um cachorro feroz sem coleira ou focinheira, morder sua mãe, que passeava na rua após receber a aposentadoria… Afinal, tudo bem ou não? Pode ou não pode? Processa ou não processa? Sim ou não? Um bêbado atropela e mata sua esposa, tem mais ou menos? O cara que arrastou o menininho no Rio de Janeiro, como é que fica? Qual a sua opinião? Vamos contemporizar? Se você toma decisões, é um bruto. Se não decide, é um bosta. Contemporizar é o caminho, mas tem gente que vive em cima do muro, e são uns chatos!

 

                                                   http://www.youtube.com/watch?v=UJc0qZHRp6c

 

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Imortalidade

Neste último mês, recebi duas terríveis notícias de falecimento. Maria Romero, argentina, médica cirurgiã, que esteve cursando uma especialização no Hospital A.C.Camargo, durante quatro meses em 2008 e por este motivo, me brindou com sua companhia morando na minha casa, 36 anos.  Sofreu um acidente fatal de automóvel numa auto pista em Buenos Ayres. Laércio Ferraz cidadão de São Caetano do Sul foi dono de uma bicicletaria no centro da cidade,  movimentou em seu entorno, mais de 100 jovens para pedalar aos domingos bem cedinho e nos passeios ciclísticos da cidade e das cidades adjacentes, em meados dos anos 80. Com suas bicicletas diferentes como a de seis lugares, sempre chamava atenção para sua equipe toda uniformizada em vermelho e preto.  Assim, que pegos de surpresa ou não, a morte é uma invariável da vida, e como tal, deveríamos tratá-la com maior naturalidade e segundo a regra comum, não conseguimos. Sentimos-nos apartados de ações e impotentes, sobretudo quando nos leva a juventude com violência e sem aviso prévio. Aqui em São Paulo, o índice de violência voltou a subir depois de um uma década de controle e redução. É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte! A imortalidade é um teste para ilustres, famosos, intelectuais ou cientistas. Serão imortais apenas os que sobreviverem à chuva de celebridades instantâneas que nos assola. Recentemente assisti “À Partida”, a um delicado filme japonês que trata da morte súbita de uma orquestra sinfônica e do conseqüente nascimento de uma nova vida para um violoncelista; da morte de um pai desconhecido e do nascimento de uma nova forma de vida. Vida e morte, uma equipe. Minha irmã, me conta feliz que encontrou à venda, um clássico do cinema e das sessões da tarde nos anos 70/80, “Paraíso Perdido”. Trata-se de um grupo de sobreviventes na neve que encontra uma passagem para um Oásis onde além de beleza, calor, flores, frutos e comida, não envelheciam. Ali se instalaram durante anos e anos, para a decisão final e mordaz de partir. Afinal, não envelhecer é um sonho humano que começa nos creminhos da Avon, passa por tecnologias do bisturi, avança sem certeza pela literatura, ciência, música, artes ou obras de engenharia e perpetua nos filhos. Desta forma, nós pobres mortais, não letrados ou pobremente letrados, chegamos séculos à frente com uma ajudinha básica dos nossos netos. E olha lá! A tomar, por exemplo, o pouco que alguns sabem de seus avós e antecessores. Ontem, estive na Praça Roosevelt, querida Praça Roosevelt, feia, fedida, suja, pixada e escura Praça Roosevelt, com seus teatros e pessoas que circulam e dão vida e contemporaneidade à este reduto paulista de cultura independente, indicações à prêmios, cervejas de 600ml e doces caseiros.  Ali, um mini teatro de pouco mais de 4 meses de vida, apresenta três espetáculos diferentes. As 16h, 21h e meia-noite. No intervalo entre a peça das 21h e meia noite, um grupo de jovens toca uma gostosa música ao vivo, num ambiente que é transformado com a criatividade e graça de quem faz com cubos de madeira, uma página da revista Casa Claudia. A peça das 21h, trás um texto psicanalítico do diário de um monge em 1.100, em plena treva. Treva mesmo. Até o Papa e os reis deste sórdido momento da história não são aclamados e oxalá sejam esquecidos junto com os prejuízos que trouxeram. Em contra partida, a moçadinha do intervalo, cantou entre tantas delícias uma  singela homenagem à Revolução dos Cravos, “Tanto mar”, de Chico Buarque. Como tantas revoluções que iniciam com altos ideais e desabam, para a manutenção do poder, Chico muda a letra, mas não a evolução da história ou a imortalidade dos fatos. Com o ano França no Brasil, fomos forçados a nos lembrar que em 14 de Julho, comemorou-se na França, a queda da Bastilha, e assim, a destruição de um símbolo é o símbolo da construção de um novo mundo. Se partirmos ou chegarmos, se partidas são também chegadas, se inícios são fins e vice-versa, fato é que temos a oportunidade agora de agirmos como se fossemos imortalizar nossos atos e ideais. Sugiro distribuirmos incontidos abraços, inesquecíveis olhares ou palavras que falem à alma. Proponho que deixemos marcas de passos para que os que venham atrás possam seguir sem medo, embora tenham a diretriz de novos rumos. Que  sintam-se orgulhosos dos nossos feitos.. E que o esquecimento não nos assole.

 

                                                             

 

 

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